É DELE QUE ESTOU FALANDO

Era sono demais. Mas não dava para deixar passar outra vez. Ainda que não fosse para se falar da sensação do muitos anos se passando, justamente porque dessa vez muitas coisas haviam mudado. A sensação de que pessoas se casaram, algumas morreram, eu estou com algúem, pessoas se mudaram e eu não quero mesmo mais morar aqui, tudo isso leva a crer que de fato se passaram muitos anos. Mas não. Não foram nem 365 dias. Essa sensação acompanhada do medo de estar feliz e a insegurança de mais uma vez achar que se perdeu, e que a essência poderia nem ser mais tão essêncial assim, a fez lembrar que os sonhos e as sensação ainda lhe fazem procuzir.
Agora, eu ou eu paro já, e só por aqui mesmo, ou eu me entrego a tentação de dizer que ele tem potencial para a perfeição. Melhor parar.

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Não sou alguém que vê a luz

Não tenho escrito muito. Não tido o prazer da retórica há um tempo. Ou pelo menos não a retórica sobre mim. Tenho apenas cumprido meus deveres na medida do impossível, ou na medida de que eu não tenho outra coisa para fazer a não ser cumprir com meus deveres. Acredito que essa seja uma fase imprescindível na vida de qualquer Joana, qualquer Maria, qualquer Pedro e qualquer José e mim.
Agora me ocupo com meu peso, com meu cabelo, com meus pelos, com a minha pele, com meu cheiro e com minha saúde. O que me preocupa, e muito. Já que os tenha diminuído a detalhes e geralmente, ou até a fase atual, eu nunca fui de me preocupar com esses detalhes, importantes, mas para mim, detalhes. Fico pensando se talvez eu não esteja fugindo de mim ou tentando ocupar minha cabeça com esses detalhes e me esquecendo de ser quem eu sempre fui. Ou talvez eu esteja apenas amadurecendo, e deixando para trás todas as outras coisas que me ocupavam, mas que não me faziam alcançar os detalhes.
Uma pausa. Não há nada que desconcentre mais do que as propagandas.
É dolorido se perder. É dolorido ter que se deixar para trás e ter que se deixar passar. É dolorido ter que reconhecer que talvez a pessoa que você era não lhe fizesse tão bem assim. É dolorido ter apenas que cumprir seus deveres, vendo os dias passarem e permanecer sem nenhuma resposta, e agora, agindo como se não houvesse nenhuma pergunta.
Amanhã eu verei amigos que há tempos não vejo e eu gostaria muito, muito mesmo de estar feliz. Não que eu não esteja, mas a preocupação em recebê-los bem e não atingi-los com a dor de se preocupar com os deveres, não deixa espaço para a alegria em poder vê-los.
É dolorido não ter um lugar que seja seu. É dolorido ter que lidar com conveniências. É dolorido ter que poupar conflitos. É dolorido ter que dizer todos os dias o que se deve ouvir.
Eu tenho lidado com as possibilidades, tenho estabelecido um relacionamento diário de muita responsabilidade pela primeira vez. Tenho lidado cada vez mais com a solidão. Tenho sido forte e tenho tido paz. Mas a paz não é aquela de alguém que vê a luz e sim de um frio e triste aleluia.

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Pula a parte da conversa e toma postura

É quando você manda encarecidamente alguém fazer algo para você, mas não consegue confiar que essa pessoa irá fazer como se espera, então você fica rondando, assim como quem não quer nada para se certificar de que a tarefa será cumprida.
É quando você possui todos os homens que nunca teve, absorve a energia de relacionamentos fantasmas, se decepciona com as paixões platônicas e tem que passar pelo fim de um romance e pelo fim de mais uma esquizofrênica mania de viver o que é possível completamente sozinha.
É quando você percebe que chegou ao ápice da crise que te persegue desde os sete anos mais ou menos e que não consegue suportar seus pensamentos reclamando e ferindo seu próprio corpo, e que todos os “sobres” sobre todas essas coisas levaram seu cansaço ao nível mil e que não só as pessoas ao redor ficam nervosas mais você também. Afinal de contas, quem não se cansa de piedade mendigada camuflada em piadas sarcásticas e irônicas sobre a própria desgraça, mesmo que ela sendo pouca seja mesmo bobagem.
É quando você imbecilmente coloca em jogo a sua fé e a sua esperança nas amizades mais longas e cinematográficas porque está distante e sem energia para mexer no baú que inevitavelmente se abre todas às vezes e acaba achando que o negócio é se casar, ter filhos e manter bem perto aquela família moderna a quatro e dizer para eles com muita amargura que os amigos jaja somem, por isso, fica com a mamãe hoje e da um beijo na sua avó.
É quando você se arrepende de ter gastado seu dinheiro em coisas passageiras e se pergunta por que não investiu na bolsa de valores, afinal de contas o mercado é instável, mas negócios são negócios e amigos a parte.
É quando você fica com medo das pessoas que parecem felizes, se sente um rato perto delas, senta no canto e tenta lembrar-se da vez que você confirmou que elas não estão feliz coisa nenhuma, que tudo é maquiagem e modelo comprado para fazer parte da geração coca cola que por sinal você também não consegue ficar de fora, até porque esse lance de ser a frente do seu tempo é coisa de jornalista puxa saco e então você só precisa cair em si e na verdade se esquecer de que por mais que você seja um deles, é menos dolorido não pensar.
Agora você cresce mais pouquinho, tenta viver a fase em que está para não virar uma adolescente de quarentão, entra em contradição, coloca conceitos em jogo, sente medo de cair no mundo sozinho de uma vez por todas, medo de se libertar das prisões que até então eram boas para puxar uma conversa e acaba se tornando alguém sem assunto.
É quando você quer, mas não consegue.
É quando você não quer deixar quem sabe fazer direito por a mão onde foi e não foi chamado.
É quando você decide que vai se arriscar, mas perde o sentido do risco e para de se achar capaz mesmo sabendo que faz melhor que amigo do seu conhecido lá…
É quando da raiva sair de casa com alguém que se sente pior que você, mas age como não estivesse e ainda tem coragem de dizer que está tudo bem.
É quando a referencia e a inspiração vem de tão perto que você se envergonha por isso. Caramba, nem reconhecer eu consigo.
Eu sou um lixo. Renato Russo meu filho, tentei chorar, e não consegui.
Agora, ou você segue ou fica ai…

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Cabelo solto

Hoje eu tive uma recaída. Não usei drogas e não bebi. Mas me embriaguei com a raiva, chorei como um bêbado em estágio final. Olhei pra todas as minhas fotos e não achei nenhuma que eu estivesse de cabelo solto. E porque não tinha? Porque eu nunca soltei a droga do meu cabelo?
Eu não queria ter soltado pipa, eu não queria ter agarrado o cara bonito que veio falar comigo, não queria a mandar tomar um banho e parar de tacar creme no cabelo, eu não queria escrever na lousa antes do professor chegar que na França só tem viado, não queria grudar chiclete na sua bolsa mais bonita, não queria escrever um texto de dez linhas que fosse polêmico e ficasse famoso nas redes sociais, não queria tirar foto nua na praia, não queria pixar o topo do Big Bang, não queria confessar meus pecados em praça pública, não queria usar uma camisa dizendo que Marx é um bundão, não queria escrever um livro, não queria plantar uma arvore, mas filhos sim, filhos eu queria. Eu não queria ter feito nada grande, nada de muito significativo. Mas eu queria ter mais fotos de cabelo solto e quero ter filhos.
Pois bem, aqui estou eu com a cabeça raspada, com fama de lésbica e parecendo a única cantora de MPB que não gosto. E já que o mundo anda pouco, e as pessoas andam liquidas e invisíveis eu quero aprender a ver beleza assim mesmo. Beleza no pouco, no que não revoluciona, no que não é intransigente, no que não incomoda, no que é neutro. E ver beleza no cabelo solto.
Hoje, e talvez só hoje, eu quero letras sentimentais de cantoras de cabelo solto que não pretendem criticar o governo, e nem falem de frustrações e complicações passadas, mas quero aquela mesa para dois, aquele som de boteco, dois pra lá e dois pra cá e um pé de valsa. E é claro, pretendo estar de cabelo solto.
A História que me perdoe os anacronismos e as interferências, mas esse texto foi escrito tardiamente.

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Incomodo

Como faço pra acordar sem despertador?
Cansei de escutar: “Quem avisa amigo é”, mas quem falou isso se esqueceu de pensar das vezes que se avisa para não serem amigos. Eu avisei. Eu esperei escutar algumas daquelas frases construídas no banheiro ou antes de dormir, mas não. Na verdade, ainda continuo sem saber o que escutei ou sem saber se escutei alguma coisa. Mas uma coisa eu sei, de coração, não queria agregar mais um na minha lista de sangue sugas e nem agregar mais um na lista de comodidades excessivamente necessárias. Não queria ser prestativa e nem incoerente mais uma vez. Por isso, eu avisei.
Tentei ler você sem musica nenhuma, assim, no seco, no escuro, no silencio que fala que incomoda, e por respeito. Desafio. Mas não deu, fracassei depois de alguns minutos, meu corpo implorava por som, por emoção, por algo que me ajudasse a ser afetada por suas palavras. Então pesquei qualquer uma, a primeira que me ofereceram. E era ruim, não ruim por não ter qualidade, e ai de mim se te dissesse que era ruim, mas ruim porque não combinou nada, não tinha nada, e para mim as musicas dançam junto com as palavras de quem escreve junto com quem escreve e vai fazendo sentido assim, só assim, e clareia bem mais. Mas esperei a musica acabar e pensei, vai incomodar, vai atrapalhar, vai ser estranho, mas um estranho bom (anotei isso). Quando a musica acabou, rolei a barra na tentativa de acertar , mas parei, voltei ao foco, voltei ao silencio, ao incomodo.
Eu ando entalada, e com preguiça de falar mais do que das outras vezes, mas antes da preguiça eu ando com raiva, e andava adormecida, e graças porque com você eu não falo, eu escrevo. Mas não se trata de você, em nada. Eu quero falar de outras coisas, das que me deixam entaladas, mas não tenho feito, e você tem me incomodado. E se eu já falei de tantas outras pessoas, porque que não falar de incomodo? Por que não falar de você?
E como faço para acordar sem despertador?
Se é que posso dar só mais um aviso, e dessa vez parafraseando, não verá nada além.

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2 de outubro

Mesmo não tendo visto a maneira como pinta as unhas , corta papeis, faz laços, da nós em pulseiras, inventa tiaras, corta cebolas, desenhas arabescos, eu saberia que tens nas mãos doçura, delicadeza e paciência, e não só nas mãos.
Mesmo não tendo visto a maneira como se comunica, a jeito que presta atenção, o modo como desenvolve os argumentos, as línguas que fala, os momentos em que não fala e a memória que não falha, eu saberia que dominas a inteligência melhor que nós três, e não só melhor que nós três.
Mesmo não tendo visto como defende o que é justo e os que são justos, a fé que coloca nas pessoas por mais perdidas que estejam, a maneira como honra os compromissos, como insiste em ceder para manter perto aqueles que ama, e a maneira como se emociona quando perde as ferramentas que precisa para se justificar , eu saberia que tens compaixão , responsabilidade e fé nas coisas do mundo, e não só nas coisas.
Mesmo não tendo visto os momentos que em se exaltou , perdeu a calma, saiu de si, se alterou, falou o que quis, não conseguiu, não desistiu de falar, e ficou falando sozinha, eu saberia da necessidade que tens externar os sentimentos ,e a falta de controle com quem não quer, e não só a falta de controle.
Mesmo não tendo visto o jeito que joga as roupas quando tira, e nem por onde ficam os sapatos, as portas do guarda-roupa sempre abertas e as gavetas quase vazias, eu saberia que não sabe se organizar e que não tem paciência com por menores, e não só com por menores.
Mesmo não tendo visto você dizer que sempre se importou com o seu casamento, com os filhos, com os almoços e com as jantas, eu saberia que nunca quis outra posição que não a materna, e não só a materna.
Mas eu vi. Eu saberia. E não só isso.

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Imparcial

Eu gostaria de ser mais sincera, de ser menos ética, de ficar mais tranquila e não precisar falar sem me preocupar em ser imparcial. A academia tem me exigido de todas as formas buscarem linhas de pensamento e hermenêuticas que não fazem parte da minha epistemologia. A todo o momento eu tenho que me frear dentro de uma censura academicamente legal e necessária pra escrever o que quer seja, sobre qualquer assunto dentro da ciência que eu escolhi dedicar meus estudos. Tudo bem, eu já sabia disso, e como diz meu amigo que logo mais deixa esse país, “Você já me conheceu assim, agora não pode reclamar”. Não, eu não vou reclamar. Não da história, não da ciência, não das linhas de pensamento, não dos cuidados com o preconceito que eu devo tomar ao produzir conhecimento e nem da censura.
Afinal, o que é ser ético? Quando eu penso em ser ético eu penso logo numa tabela que eu devo pesquisar e saber se ali consta o ato que eu vou colocar em ação para saber se estou legalizada. Eu sinto também, que às vezes a moda, a TV e as tendências é que me dizem o que eu posso ou não dizer, por exemplo, ta moda ser a completamente a favor do amor livre, e ser completamente “critico” aos crentes (defina crente primeiro NE?!). Mas enfim, eu sinto que a ética já deixou de ser ela há muito tempo, e que é só você se contextualizar e se encaixar nos padrões e for a favor da maioria, pronto. Quem, sendo você uma pessoa “ética” ousaria contrariar?
Esses dias mesmo eu cheguei numa roda onde o assunto era preconceito, e ai é claro, só para provar ainda mais minha tese, eles eram completamente a favor do homossexualismo e completamente contra os crentes, mas um dos meninos que notou a minha presença CRENTE ali me pediu desculpa antes de começar a METER O PAU nos tais, e depois se sentiu totalmente livre para expressão qualquer que fosse a sua indignação. Eu achei engraçado, pois parecia que naquele pedido de desculpa que ele me deu, conseguiu algo parecido como uma autorização para criticar os cristãos sem propriedade nenhuma, e olha que com a falta de propriedade eu já nem me importo mais. O fato é que ele acha que foi ético ali! Ele realmente acha que me pedindo desculpas ele poderia me humilhar em praça publica sem fundamento nenhum? Eu não sei, aliás, acredito que não! Bem, é de bom tom deixar claro aqui que sou a favor da liberdade de expressão (que não seja uma falsa liberdade e nem uma liberdade ditada pelas tendências) que não sou preconceituosa (ou pelo menos não com os gays) e que sim, eu sou cristã e ainda assim eu permito que critiquem aqueles realmente tem algo a dizer, ou melhor, eu discuto com quem realmente tem algo a dizer!
Mas essas são coisas que a vida burocrática, profissional, social e acadêmica nos fazem tomar consciência. O que eu queria mesmo, era reclamar dos momentos em que não podemos ser ético de maneira sincera, ou porque talvez o que você tenha pra dizer possa machucar, escandalizar e colocar em risco a confiança de uma pessoa ou então por qualquer outro motivo, que seja!
Eu me pego em muitos momentos como esse, é incrível. As pessoas, as situações e os sentimentos meus e de outro se entrelaçam de maneira que eu não saiba mais o que eu falo, pra quem eu falo, ou o que finjo que esta acontecendo e o que não está também.
Entendo que talvez eu esteja começando a falar uma língua desconhecida, mas como o objetivo desses textos sempre foram terapêuticos eu não me sinto coagida a ser clara, ou a ser ética ou a SER. Eu apenas quero acrescentar algo para aquele que é disposto. E aqui vai: Não tem o que dizer? Não diga! Está com duvida? Não faça! Quer ser ético? Se liberte!

NB: Ninguém melhor que ele pra me ajudar nessa!

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